sábado, 11 de dezembro de 2010

MARIONETES TÊM CÉREBRO

http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2010/12/professores-nao-conseguem-dar-aula-em-escola-de-santa-catarina.html

Palhaço? Colega? Amigo? Pai? Tio? Mãe? FDP? Vaca? Afinal, o que é ser professor numa escola pública, seja em qual estado da federação for? Tem de ser psicólogo? General? Contador de piada? Deixar jogar baralho? Mexer no celular na hora da explicação? Tem de fingir que não vê o que vê demais? Tem de ser surdo, mudo, cego, coxo, “manero”, legal? Já me chamaram de “zica” porque pedia para não esquecerem o livro...Um aluno, certa vez, disse-me que eu não trabalhava, quem trabalhava de verdade era a mãe dele que levava privada dos outros. Pois é, e eu, há mais de 20 anos, limpo as latrinas de uma educação que escorre suja e repleta de vermes entre valas que aglomeram seu fedor acérrimo.


Desculpem-me a revolta, mas depois de ver o vídeo do Profissão Repórter fiquei pensando no professor de história diante de sua impotência, simplesmente pelo fato de querer exercer sua função real: dar aulas.

Um professor estuda alguns bons anos, aprende conteúdos que supostamente serão exigidos aos alunos quando do ingresso numa universidade séria e decente. Se ele não conseguir trabalhar esses conteúdos, o aluno não terá chances de competir pela vaga. Mas, como ele irá ensinar se não há quem queira aprender? E quando há, sempre existem os que não querem e atrapalham o processo. Há casos tão absurdos de adolescentes que se esforçam para aprender e que são ameaçados por seus pares justamente por causa disso, ou seja: ele vai à escola, mas não pode querer aprender, não pode ser bom aluno, não pode ser colaborador, nem tampouco respeitar o trabalho do professor.

Professor hoje se transformou num hipersemema: é pai, tio, filho, irmão, amigo, colega, aí mano, oi veio, psicólogo, médico, dentista, analista, oráculo, enfim, ele é tudo, menos professor. Se ele tentar levar conteúdos acadêmicos, será péssimo, será perseguido, injuriado, chamado de careca e de “branco”, se viver numa comunidade de maioria negra. Basta ver o vídeo. E a professora de artes que parece conseguir algo com os alunos, tornou-se psicóloga, pois tem de ceder sua cadeira para o aluno se sentar e aquietar-se na sala.

Os alunos hoje só fazem o que querem fazer, é a geração do aluno hedonista: se ele deixar, o professor ensina, se não, não. Se ele permitir, haverá aula de verdade, se não, ele jogará cartas, mexerá no celular...o professor nada poderá fazer porque a direção não tem força contra isso, o sistema é impotente, as leis não são cumpridas porque não há amparo para a escola.

Penso tristemente que o professor tornou-se uma marionete, e o pior, há vários que o comandam...mas ele segue, preso a cordas bem laçadas, mas segue. Trôpego mas segue; está amarrado, é verdade, mas ainda pensa e muito, só precisa ter uma chance real de libertação. Alguém tem alguma tesoura?