quinta-feira, 6 de dezembro de 2012



De repente

De repente, me deu vontade de escrever,
Talvez seja o calor, o sol
Ou qualquer elemento da natureza
Como manifesto do pensamento
Talvez seja o fim de ano chegando,
Para alguns, até o fim do mundo,
Ou o começo de algo
Que parece novo, mas é tão antigo.

Pode ser que tenha sido por causa das pessoas,
Dos bares,
Do chope, do vento,
Ou pode ser que seja o cão mudo e triste que atravessava a rua,
Talvez tenha sido o cigarro que foi aceso,
Ou o que se apaga sempre.
Quem sabe tenha sido a morte
Ou o nascimento de alguém famoso ou anônimo.

Só sei que lembrei seus olhos,
Sua boca, sua pele colada na minha,
Sua falsa distância,
Seu suor tão presente,
Lembrei a tarde e as manhãs,
As praças e as escadas,
O carro parado e uns bombons
Doces...lânguidos...perfeitos.

E diante de tanta coisa simples, boa ou dolorida,
Tanta artimanha, esconderijos, chegadas, partidas
Tanto medo, tanto sonho, sons, letreiros
Fumaças e rodeios,
Lembrei-me do jato impreciso
E senti como é preciso
Tudo o que sinto.

De repente, me deu vontade de viver.
06/12/2012