quinta-feira, 6 de dezembro de 2012



De repente

De repente, me deu vontade de escrever,
Talvez seja o calor, o sol
Ou qualquer elemento da natureza
Como manifesto do pensamento
Talvez seja o fim de ano chegando,
Para alguns, até o fim do mundo,
Ou o começo de algo
Que parece novo, mas é tão antigo.

Pode ser que tenha sido por causa das pessoas,
Dos bares,
Do chope, do vento,
Ou pode ser que seja o cão mudo e triste que atravessava a rua,
Talvez tenha sido o cigarro que foi aceso,
Ou o que se apaga sempre.
Quem sabe tenha sido a morte
Ou o nascimento de alguém famoso ou anônimo.

Só sei que lembrei seus olhos,
Sua boca, sua pele colada na minha,
Sua falsa distância,
Seu suor tão presente,
Lembrei a tarde e as manhãs,
As praças e as escadas,
O carro parado e uns bombons
Doces...lânguidos...perfeitos.

E diante de tanta coisa simples, boa ou dolorida,
Tanta artimanha, esconderijos, chegadas, partidas
Tanto medo, tanto sonho, sons, letreiros
Fumaças e rodeios,
Lembrei-me do jato impreciso
E senti como é preciso
Tudo o que sinto.

De repente, me deu vontade de viver.
06/12/2012

domingo, 16 de setembro de 2012


MARIA RITA 1000 X ORGANIZAÇÃO 000

O Show de Maria Rita em homenagem à Elis Regina foi de arrepiar. O profissionalismo, o carisma, a competência e, principalmente a voz de Maria Rita são de nos deixar sem palavras. Literalmente. Em contrapartida, a organização do evento foi péssima. Primeiro, marcaram o show para o dia 01/ 09, na Recreativa, tranferiram para o dia 15/09, no Centro de Eventos Pereira Alvim e NÃO COMUNICARAM as pessoas que haviam comprado os ingressos para o do dia 01/09. Basta ver a resposta da própria produção, nos textos abaixo. Duas amigas que moram em Franca e que compraram o ingresso no dia 01, vieram de lá no dia 01, chegaram à Recreativa e somente lá souberam da transferência do evento.
Eu mesma, moradora em Ribeirão, comprei camarote open-bar pela internet (que, na Recreativa, estaria bem próximo da artista e no Pereira Alvim, instalaram-me num local chamado pelos “organizadores” de Área Vip,  bem distante do palco “que vip, hein???), só soube, no dia 28/08, pela rádio Clube FM da transferência, por isso, no mesmo dia 28, enviei e-mail ao endereço  http://mariarita.net/2012/07/maria-rita-canta-elis-em-ribeirao-preto-redescobrir-01092012/, para saber detalhes (a resposta está no link).
Não sei exatamente quem é o maior responsável pela (des)organização do evento- que, além de tudo, ofereceu cerveja quente-, se é a Clube FM, a Yupingressos, mas um fato é certo: uma cantora como a Maria Rita não pode correr o risco desses amadorismos de gente que se diz profissional.
De qualquer maneira, Maria Rita e seus músicos são fantásticos e só por esse motivo, tudo valeu a pena!










domingo, 1 de julho de 2012


Entre o ser e o estar

O que somos
nem sempre
ou quase nunca expomos.
O que estamos é o que se mostra:
uma dupla face e única
que se desdobra e se dilui,
somos dentro e fora
e nunca uníssono
e o que pode ser bonito dentro
é feio fora
e vice-versa.
E o nosso ser
Nunca é, só está.
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

É carnaval, Sophy!

Há 16 anos o carnaval me deu de presente um filho
E eu pude exercer o amor materno pela terceira vez,
E minha casa se encheu de alegria com a chegada da boa nova, nova vida
Que ontem aniversariou.
É um menino lindo, que adora gente e adora bichos.

Este ano, a carnaval levou minha cachorrinha embora
E toda fantasia que nela estava envolta
Durante os quase dez anos que ela encheu nossa vida
De confete e de serpentina.
A fantasia acabou
Mas aquele olhar milenar
Que toda fantasia traz consigo
Permanece em cada móvel, em cada canto
E até no vazio que ficou.
17/02/2012

sábado, 8 de outubro de 2011

DILÚVIO

O meu amor
escorre,
transborda,
invade terras
e valas
...
...
...
E eu não morro afogada.



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vendaval

Vento tempo,
Vendaval,
arrastou meu chão,
Roubou meu sal,
me deixou nua
na gélida lua
me levou você
Por quê?
E eu nem sei mais quem sou....

sábado, 17 de setembro de 2011

Sada

Uma das lembranças mais saborosas da minha infância era a casa de minha avó. Uma casa bem simples, mas arejada e que tinha um pé de figo contornado por uma pequena base onde eu me sentava à sombra para brincar com as formigas.
Minha avó mal falava o português, mas nossa comunicação era intensa. Lembro-me dos olhos dela, sempre tão úmidos e doces, do seu nariz, dos cabelos brancos e longos, seguros por uma grande presilha por detrás da cabeça. Lembro-me da expressão longínqua de seu sorriso, de quem estava sempre olhando para uma Síria guardada nos quibes aromáticos e saborosos que ela escondia para os netos num caldeirãozinho coberto com um pano de prato, bem acima do fogão a lenha, no canto daquela cozinha atrás de cuja porta eu tanto me escondia para brincar. Eu chegava e vóóóóóó... abraçava seus quadris, bem à altura dos meus braços. “Ayuni”, ela me dizia, e me beijava a cabeça, o rosto e segurava minhas mãos, na época tão pequenas e que ora serviam de caminhos de passeio para as formigas, ora as torturavam- pobres formigas. Minha mãe me deixava lá algumas manhãs e minha avó escolhia arroz numa baciazinha de alumínio meio amassada nos cantos e eu era a própria casquinha do arroz despejando perguntas: de onde ela havia vindo, por que falava tão diferente e ela respondia algo que eu não entendia e me olhava com tanto carinho que me atravessava e eu sentia aquele cheiro tão dela, aquele cheiro que muitas vezes hoje me vejo procurando em minha mãe, em minha tia...Eu a via tão grande, tão quente...ela deixava que eu mexesse em seus cabelos e, um dia, eu os pedi para ela e ela me disse que, quando se fosse desse mundo, eu poderia guardá-los.
Minha avó se foi, não me deixaram vê-la, eu era pequena... fiquei com esse vazio. Recordo-me quando o Guidinho, nosso vizinho, conversava com minha irmã e dizia que havia vindo do hospital e ela estava mesmo muito mal. Eu estava no colo de minha irmã, descalça, como sempre eu brincava e meus chinelos estavam virados e eu corri para tentar desvirá-los, minha irmã me segurou...eu expliquei o que pretendia e ela se adiantou "não adianta mais, Cláudia” e eu chorava e chorava,  pensando que se eu desvirasse os chinelos, minha avó viveria para sempre, e viria, como toda noite ela fazia, ver televisão na minha casa e eu poderia, como toda vez eu fazia,  deitar minha cabeça em seu colo cheiroso de tempero de esfirra, de quibe, de acelga, de farinha, um colo com o aroma de uma mistura de coisas que me transportavam para um lugar de descanso e de ternura, tão milenar e tão presente. Minha avó morreu em frente a minha casa quando atravessava a rua. Ela me beijou e foi embora e eu só ouvi um barulho e nunca mais a vi. Ninguém sabe, nem eu sei como consegui ou de quem os peguei, mas os chinelos que ela usava naquele dia estão guardados aqui comigo, descansando numa caixa, virados para cima.