domingo, 8 de agosto de 2010

80 anos do velho Jorge

Ribeirão Preto, 11 de agosto de 2009         
Há um ano...                                         
Pai,
Hoje de manhã fiquei pensando em muitas coisas...e lembrei-me de uma cadeirinha de balanço que o senhor me trouxe de viagem quando eu fiz 4 anos; lembrei-me de quando tive nefrite e que o senhor me trouxe uma cesta cheinha de doces quando sarei e finalmente podia comer alguma coisa gostosa; lembrei-me do meu primeiro banho de rio, no Rio Pardo e o senhor estava lá comigo...

Lembrei-me do senhor, sentado no chão, diante da mesinha da sala, na casa na Anita Garibaldi, ensinando-me a jogar buraco...lembrei-me do senhor ajudando-me a subir na Caloi 10 do Lélio que eu pegava escondida, e o senhor me ajudando a me equilibrar e a andar na bicicleta...lembrei-me do senhor me ensinando a acelerar a primeira moto que eu comprei e eu nem sabia andar; do senhor me explicando para sentar bem na frente do banco, um dia, em que o pneu traseiro da moto furou e eu o levei para consertar...lembrei-me do senhor, dirigindo seu velho carro, sempre com algo quebrado e me mostrando como mudava a marcha e pisava a embreagem.

Depois, lembrei-me do senhor no altar, no dia do meu casamento, o senhor estava tão emocionado que tive medo do seu coração novamente falhar...lembrei-me do senhor indo à minha casa, montar meu guarda-roupas...até de uma surra que o senhor me deu eu me lembrei, mas sem mágoas...era a linguagem que conhecia.

Lembrei que o senhor chamava a Mayra de “fuça-fuça” quando ela era pequenininha e de que o senhor sempre se emociona com música e pequenas coisas e lembranças....

Eu te amo, pai, muito, porque tudo o que o senhor me ensinou era para que eu fosse feliz, para eu me aventurar. O senhor me ensinou a me divertir, a rir, a ser feliz e...sabe por quê? Porque hoje, apesar de o senhor estar completando 80 anos, nunca deixou que se apagasse dentro de si o menino que sempre existiu e que - apesar do trabalho desde pequeno, apesar de andar quilômetros descalço para ir à escola - brincava, divertia-se e aprendia na fazenda Invernada.

É esse menino sempre vivo que deixa a gente tão feliz.

Um beijo da sua filha

Cláudia

2 comentários:

  1. Ah, é demais esse texto, eu já li várias vezes e me emociono em todas.

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  2. Obrigada, meu afilhado querido! Beijos

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