Meu filho não desgrudava os olhos da tela. Deliciava-se com os dribles de Robinho e as tentativas de Kaká. Eu irritava-me com a ausência nada fabulosa de Luiz Fabiano que, não sei por que, gratuitamente nunca me convenceu, tem cara de paranoico, sei lá (desculpe-me a franqueza). Lembra-me os alunos sonsos que esperam alguém terminar para passarem a cola, só para que nem tenham o trabalho de pensar.
O gol no primeiro tempo deu uma sensação de alívio – muito parecido com a que me dá quando tenho a impressão de que o PSDB finalmente não vai continuar no governo estadual de São Paulo. Minha nossa, os alunos vão para a escola pública por mil motivos, menos para estudar. E os que querem aprender são sufocados, como bons atacantes que não têm espaço para avançarem porque a defesa do time adversário é pipoqueira e o pior... muito cruel.
O jogo segue bonito, jabulani parece que já foi dominada, não é mais o animal selvagem na arena da África. Foi domesticada pelos pés de 32 países diferentes. Coitada, não tinha escolha. E hoje camisas laranja ardentes e azuis tentam conduzi-la à rede fatal.
Segundo tempo, meu filho se desespera, os olhos adolescentes e esperançosos marejam ao término do segundo gol alaranjado. Se ele pudesse, teclaria o controle remoto do tempo só para continuar tendo a alegria momentânea de noventa minutos quando se ganha e se esquece de tudo ao redor. A filha mais velha é supersticiosa, a do meio faz promessa. O marido sai da sala, sem rumo, feito uma jabulani desgovernada: vuvuzelas mudas aos meus ouvidos. Só minha cachorra daschund parece indiferente, talvez torça amanhã para a Alemanha.
Que coisa louca é o futebol! Choro, decepção...a vida é cheia disso e eu sinceramente espero que no meu tempo regulamentar ou até mesmo no tempo de acréscimo neste jogo inusitado de viver, possa ver meus filhos e aqueles meninos, atacantes insistentes na sala de aula, driblando a defesa adversária pipoqueira e oportunista e marcando muitos gols, seja em qual campo for, desde que seja um jogo limpo, com a garra e a vontade de quem não briga à toa, mas também não abaixa a cabeça. A vida tem muitos jogos. Vamos a eles. 02/07/2010
Que coisa louca é o futebol! Choro, decepção...a vida é cheia disso e eu sinceramente espero que no meu tempo regulamentar ou até mesmo no tempo de acréscimo neste jogo inusitado de viver, possa ver meus filhos e aqueles meninos, atacantes insistentes na sala de aula, driblando a defesa adversária pipoqueira e oportunista e marcando muitos gols, seja em qual campo for, desde que seja um jogo limpo, com a garra e a vontade de quem não briga à toa, mas também não abaixa a cabeça. A vida tem muitos jogos. Vamos a eles. 02/07/2010

Nenhum comentário:
Postar um comentário