sexta-feira, 16 de julho de 2010

NO TEMPO CERTO




“Tempo, tempo, tempo”, o grande algoz. Rouba-nos a vida a cada segundo e ao mesmo tempo, entrega-nos a aventuras e a aprendizados; alguns, prazerosos, outros amargos e incorrigíveis. Não, pensando melhor, não é um algoz: é um paradoxo. Neste exato momento, vivemos o presente e, metalinguisticamente, na linha debaixo, neste texto, o presente faz-se passado e foi futuro na linha anterior.

Viver esse paradoxo é a grande aventura e a oportunidade de fazermos dessa aventura não uma conquista pessoal, mas uma mudança de paradigma. Ainda que pareça um clichê de auto-ajuda, há que pensar no que vivemos para que saibamos nos posicionar neste presente que já foi futuro. É necessário presenciar esse presente e tentar fazê-lo acontecer da melhor maneira, provável ou improvável: amar, viver, ajudar, correr, brigar, perder, vencer, cair, seguir; e nesse seguir, cuidar para que o futuro não chegue como se fora um deus resoluto de todas as nossas angústias daquele presente. O futuro chega ligeiro, tão presente que nem percebemos e o que traz na bagagem é a poeira do que fizemos ou resquícios do que deixamos de fazer.

Temos de viver esse futuro- presente e nele tentar realizar a vida da maneira mais coletiva, já que o tempo é de todos e para todos. Assim, quando o presente for futuro, as novas gerações, que hoje ainda não podem avaliá-lo como presente, poderão sentir que cuidamos dele no tempo certo.



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