As meninas
Cecília Meireles
Arabela
abria a janela.
Carolina
erguia a cortina.
E Maria
olhava e sorria:
"Bom dia!"
Arabela
foi sempre a mais bela.
Carolina
a mais sábia menina.
E Maria
Apenas sorria:
"Bom dia!"
Pensaremos em cada menina
que vivia naquela janela;
uma que se chamava Arabela,
outra que se chamou Carolina.
Mas a nossa profunda saudade
é Maria, Maria, Maria,
que dizia com voz de amizade:
"Bom dia!"
Três crianças (22/09/2010)
Luara enfeitava a tiara,
Mayra, tão cedo já lia,
E João brincava no chão:
Começava o dia!
Luara, a mais arteira,
Mayra, a mais crítica menina
E João se divertia:
Seguia o dia!
Pensemos em cada criança
Que naquela casa crescia,
Luara, sempre encantada,
Mayra, doce-arredia,
Mas um menino também brilhava,
Corria, cantava, nos divertia
E covinhas em suas bochechas surgiam
Toda vez que ele sorria!
Que saudade desses dias!
Mayra, Luara e João
Mayra
Clarice Lispector diz que “ser ruiva é uma revolta involuntária”. Mayra, minha filha ruiva, aos 4 anos de idade, após uma pequena discussão comigo, disse-me: ”Vou embora desta casa, vou vender sanduíche na praia”. Olhei sua mochilinha de viagem, estampada com a sereia ruiva Ariel: nela havia uma moeda, uma calcinha e uma boneca.
Aos 7 anos, quando eu estava amamentando o João, Mayra com os olhinhos curiosos me espiava a meia distância. Eu a chamei: “Mah, olha só a mãozinha do seu irmão. Veja os dedinhos que pequenininhos, que bonitinhos”. E ela, chegando mais perto: ”Mãe, ele tem cerca de trezentos ossos, quando ele for crescendo, os ossinhos vão juntando e aí diminui o número!” Eu perguntei onde ela havia ouvido aquilo: “Ué, no meu livro da escola, mãe!”
Pensei que ela seria médica, tão precisa, tão racional, mas ela escolheu ser professora. Bem, pensando melhor, não poderia ser diferente: era extremamente didática.
Luara
Aos 3 anos, quando eu estava grávida do João e todos perguntavam: “Será menino ou menina?” E ela, filosoficamente: “Ué, é só olhar, se for menina, vai nascer de lacinho!”
Aos 4 anos, meu irmão comentando a música da cantora Leila Pinheiro e ela corrigiu-o: ”Tio Jorginho, é Leila Pinheira, porque é mulher!”
Aos 7 anos, após ler uma placa de supermercado: “Mãe, eu sei que o frango não tá com gripe, mas o que é um frango resfriado?”
João
Aos 3 anos, na praia de Itanhaém: “Mãe, que é isso?” “É uma bolacha do mar!” “Pode comer?!!!????”
Aos 5 anos, quando colecionava dinossauros: “João, deixa esse dinossauro aí e vem comer um franguinho! Ou traga o seu amigo carnívoro pra almoçar com você”. “Mãe, esse dinossauro é um brontossauro, ele não come carne.”
Aos 7 anos: “Mãe, o que é um pontinho verde no canto da cozinha?” “Não sei!”
“Uma ervilha de castigo!”