
Trilogia social
I- Menino de rua
_Moço, deix’eu limpar o vidro?
_Tem uma moeda, não?
Senta na sarjeta,
Brinca com a formiga no chão.
Rude chão.
Frio chão.
Menino cigano,
Conhece lado a lado da cidade,
E os homens da Única.
Figura miúda
No meio da rua
E olha a lua:
_Não sei quem falou
Que vai nascer verruga na ponta do dedão!
Craque no drible, samba, assim, diante do Pinguim.
Menino ligeiro,
Cheira cola de sapateiro
E sonha com os dias que virão.
II- Precoce sobre(a)ssalto
O frio percorre as veias da noite
E um cruel açoite,
Degela brutalmente
O sangue, numa chibatada.
Dor nos olhos, nas mãos
Sem pai, sem mãe...dor, dor, dor.
Precisa da droga no suor.
A mão sôfrega pega a arma,
Tropeça, corre às ruas,
Um tiro escapa,
Um.
Outro jovem no chão,
Rude chão,
Frio chão,
O pai sem escoras,
À mãe, nada consola.
Menino ligeiro,
Foge driblando letreiros,
E chora pelos dias que virão.
III- Partido alto
Corrida tensa, bamba,
Pés que torcem, retorcem a barriga vazia.
E os sons das sirenes anunciam:
Correr, correr,
Pra onde, pra quê?
Não há mais nada: nem passo, nem drible, nem cadência:
O samba se perdeu.
Outra bala,
Nem escapa, nem pensa:
Menino ligeiro,
O sangue escorre inteiro,
Já não sonha, nem chora,
Não há dias que virão.
I- Menino de rua
_Moço, deix’eu limpar o vidro?
_Tem uma moeda, não?
Senta na sarjeta,
Brinca com a formiga no chão.
Rude chão.
Frio chão.
Menino cigano,
Conhece lado a lado da cidade,
E os homens da Única.
Figura miúda
No meio da rua
E olha a lua:
_Não sei quem falou
Que vai nascer verruga na ponta do dedão!
Craque no drible, samba, assim, diante do Pinguim.
Menino ligeiro,
Cheira cola de sapateiro
E sonha com os dias que virão.
II- Precoce sobre(a)ssalto
O frio percorre as veias da noite
E um cruel açoite,
Degela brutalmente
O sangue, numa chibatada.
Dor nos olhos, nas mãos
Sem pai, sem mãe...dor, dor, dor.
Precisa da droga no suor.
A mão sôfrega pega a arma,
Tropeça, corre às ruas,
Um tiro escapa,
Um.
Outro jovem no chão,
Rude chão,
Frio chão,
O pai sem escoras,
À mãe, nada consola.
Menino ligeiro,
Foge driblando letreiros,
E chora pelos dias que virão.
III- Partido alto
Corrida tensa, bamba,
Pés que torcem, retorcem a barriga vazia.
E os sons das sirenes anunciam:
Correr, correr,
Pra onde, pra quê?
Não há mais nada: nem passo, nem drible, nem cadência:
O samba se perdeu.
Outra bala,
Nem escapa, nem pensa:
Menino ligeiro,
O sangue escorre inteiro,
Já não sonha, nem chora,
Não há dias que virão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário